Memórias e Histórias (2000-2007)

La voz Arcana: o underground por Vânia Helena

A partir da contribuição textual da amiga Vânia Helena, percebi uma maneira didática (?!) para pensarmos o undeground. Ou, como os irmãos latinos costumam falar: o “subterrâneo”.

Democratizar o acesso à leitura é, sobretudo, também pensar naqueles/as que, mesmo sem qualquer vivência ou conhecimento prévio sobre a temática, se interessaram pelos textos deste Blog.

Em síntese, eu diria que a expressão “underground”, no presente contexto, representa um conjunto de ideias e a práxis de músicos, de produtores de conteúdos e, principalmente, das pessoas direta ou indiretamente envolvidas para que as engrenagens possam permanecer em movimento.

Sendo assim, o relato de Vânia nos oferece importantes subsídios sobre a cena ou o movimento underground. A Moondo Records é apenas uma forma, um meio para ilustrar e evidenciar os trabalhos de milhares de pessoas com os mesmos propósitos e sentimentos around the world:

“Conheci a Moondo Records em 2002, aos 18 anos de idade (façam as contas!), através de amigos que indicaram a loja para adquirir ingressos de eventos que estavam rolando na época. A partir de então, me tornei não só cliente, mas amiga de seu mentor, Edmundo, sempre muito cordial com aquela adolescente curiosa, frequentando a loja e os festivais realizados.

As iniciativas da Moondo tiveram uma contribuição essencial para o momento de grande efervescência que a cena Underground de Recife viveu no início dos anos 2000, quando a cidade era considerada a capital do Metal Nordestino, e sempre recebia turnês que rolavam pelo país, principalmente quando se tratava de Death Metal.

A Moondo atuava de várias formas, e pra mim o seu grande diferencial era o contato com camadas mais profundas do Underground, buscando apoiar os veículos de informação independentes como os fanzines, e distribuindo e lançando materiais de bandas locais e nacionais, que geralmente não tinham muito espaço em outros meios.

Era justamente isso que eu procurava, e através da loja conheci vários zines e bandas de diversas partes do Brasil, adquirindo materiais que conservo até hoje. Dentre eles, estão demos, splits, álbuns, e outra coisa de grande relevância na época e que contribuía muito para a divulgação de bandas, que eram as coletâneas.

Acervo pessoal da entrevistada, (res)guardado desde 2002, com fanzines, informativo/catálogo da Moondo Records, flyer de show, coletâneas em CDs etc. (Foto: Vânia Helena).

A Moondo lançou, por exemplo, a ‘Warriors of the Morbid Moon’. Lembro também de lá na loja, ter adquirido a ‘Troops of Devastation’ [editada pelo amigo e zineiro Aleson Sortilégio], da qual possuo dois volumes, com dezenas de bandas de Death Metal nacionais, algumas das quais pude conferir tocando em terras pernambucanas em eventos organizados pelo próprio Edmundo.

Esse foi outro ponto em que a Moondo atuava bastante na cena local, sendo responsável pela passagem dessas e de outras bandas em Recife, do Brasil e de fora, com a realização de festivais como o ‘Stay Death’, o ‘Killing the Carnival’ e o ‘Warriors of Destruction’, que movimentavam um público considerável e eu estive presente em várias de suas edições. Os eventos aconteciam principalmente no antigo Dokas, que era o mais frequente e, acho que posso assim dizer, mais importante local para eventos Underground daquela década.

Cartaz do primeiro STAY DEATH. (Imagem: Acervo Moondo Records).

São inúmeras as memórias em anos de visitas à loja, na troca de ideias, divulgações, a presença em eventos, e claro, a confiança e o respeito que sempre regaram a amizade que nasceu daí.” (Vânia Helena, assistente educacional).

Parte do acervo de Vânia Helena, citados no relato. (Foto compartilhada pela entrevistada).

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