Memórias e Histórias (2000-2007)

Deborah e Aureliano: uma família underground do Nordeste brasileiro

O título é provocação? Não!

É anarco-lapada!

A subtração da expressão tradicional, a partir da ótica ‘gadoeira tradicional brasileira’ e de tantas outras, ao praticarmos o diálogo instigando os neurônios (muitos ou poucos), de boa mesmo… Não há como descrever sucintamente o termo.

Aqui, falamos de duas pessoas do Rock. Do Metal feito em casa, como uma cachaça raiz. E, mesmo assim, o tal “tradicional” é apenas um referencial para nos aproximarmos de uma família underground brasileira.

Imagina aí?! E a/s identidade/s, a/s caminhada/s e o/s (possíveis) amor/es por e/ou pela/s expressões artística/s? As manifestações da galera headbanger: o público e as bandas?! Todas as referências sonoras e, para além, enquanto conglomerados em uma mesma sintonia? Não existe esta sintonia! A gente vive e respira o universo heterogêneo das artes subterrâneas.

Sim, é o tal underground! Com ou sem metrônomo, independente de produtor ou da produção. Como diria os amigos das antigas lá do Janga: “é o feeling, Edmundo!”. Um salve aos Queiroga!

Tradicional não se traduz em uma tradução. Dicionário? Nem o camarada Aurélio indica…

Deborah e Aureliano demonstraram as preferências com distorções e timbres que nos remetem ao Black Metal. Evidenciaram, talvez, a banda preferida de ambos e da família! Educaram a jovem Kaline (atualmente com 16 anos) para a vida real.

Cartaz do show do Enthroned no Recife. (Imagem: Acervo Moondo Records).

Vejamos os relatos da amiga Deborah e do amigo Aureliano. Muito obrigado por compartilharem essas memórias sobre a Moondo Records:

RELATO DE DEBORAH:

“Conheci a Moondo Records através de algum show, que não me recordo exatamente qual, afinal foram tantos… (risos).

Inicialmente, frequentei [enquanto cliente] da loja, e fui a vários shows. [A atuação na cena underground recifense] era excelente. Através da Moondo Records, vimos shows de bandas nacionais e internacionais que marcaram época.

Sem sombras de dúvidas, [a Moondo] fez parte da minha história e influenciou na minha construção como headbanger. E, falar da Moondo Records pra mim é especial.

Foi através dos shows, em meados dos anos 2000, que eu conheci o Aureliano, com quem sou casada até hoje. Nós dois sempre tivemos uma ligação muito próxima ao Edmundo. Fomos clientes e frequentamos vários shows durante todo o período de atividades da Moondo Records.

Foto compartilhada por Deborah.

Tenho ótimas lembranças daquela época, que pra mim foi a melhor!

Vários shows fazem parte da nossa história. Mas, temos um em especial: o Enthroned.

Sempre fomos muito fãs da banda e, na época, julgávamos ser impossível ver a banda ao vivo no Hellcife. Mas, a Moondo Records tornou essa realização possível.

Lembro-me de cada detalhe daquela noite insana. Desde o anúncio até a noite do show, a ansiedade foi imensa e foi foda ver o ‘finado’ Dokas lotado, com a galera enlouquecida em ver os caras no palco blasfemando e tocando os clássicos da banda belga.

Enfim, aquele show foi uma das maiores realizações para nós enquanto headbangers. Deixo aqui o meu agradecimento a Moondo Records por ter me proporcionado ver tantos shows ‘foda’, conhecer tantas bandas foda, e agradeço a oportunidade e o convite de deixar o meu registro para esse Livro.” (Deborah Gomes, instrumentadora cirúrgica).

RELATO DE AURELIANO:

“Eu conheci a Moondo Records em meados de 2000, através de shows e, [enquanto cliente] da loja no Centro do Recife. Na loja, e com a amizade construída, o amigo Edmundo [foi a ponte para] eu conhecer os brothers do Anthropophagical Warfare. Os quais criamos um ciclo de amizade massa e que sempre apoiei, [seja adquirindo] material ou panfletando e divulgando os shows também.

Aureliano e a banda Anthropophagical Warfare, no show do Enthroned. Na foto, também o brother Osvaldo (à direita). Foto compartilhada por Aureliano.

A Moondo Records abriu portas para muitas bandas e colaborou fortemente com a cena underground do Hellcife. Importante citar que, através da Moondo Records, tive a oportunidade de ver várias bandas que sempre quis [prestigiar e curtir]. Dentre elas, o Enthroned, numa fase foda da banda.

A Moondo Records fez shows também, [apoiando de alguma forma] bandas como o Decomposed God, Necrolust, Inferus, Shedim, Cantus Infame, Hardegon, Ancestral Malediction e muitas outras. Sem esquecer da banda do Edmundo, o Recidivus, que na época fazia turnês pelo Norte/Nordeste/Sudeste e Sul [do Brasil].

Lembro-me dos finais de tarde aonde eu sempre ia até a loja no final do expediente escutar um som e trocar ideias. Sempre pedia para ele [Edmundo] colocar o clássico do Iron Maiden: Fear of the dark. (risos).

Lembro-me também que eu e Deborah, minha esposa, nos conhecemos em algum show da Moondo Records e sem sombra de dúvidas a Moondo Records faz parte da nossa história.

Aureliano e dois integrantes do Enthroned. Foto compartilhada por Aureliano.

Foi foda viver essa época, conhecer tantas bandas… Sou grato por poder contribuir com meus relatos e a minha história no underground nesta obra.” (Aureliano Nazgul, profissional autônomo, em 10/09/2021).

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ATUALIZAÇÃO: Os relatos de memórias acima foram compartilhados no final de 2021. Atualmente (2026), Deborah e Aureliano, pais da jovem Kaline, não vivem mais como um casal, mas se respeitam e, pessoalmente, agradeceram/corroboraram este capítulo do livro e de suas vidas.

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